Dia 11 – Cusco (PER) / Chivay (PER)

Dia 1107/09/2014 – Inicialmente nossa ideia era irmos de Cusco direto para Arequipa, mas demos uma pesquisada e descobrimos o Cañón Del Colca, um ótimo lugar para, entre outras coisas, observar o voo do condor. Mudamos nosso destino para Chivay (a cerca de 570 Km), a cidade mais próxima do cânion onde dormiríamos para ir até o mirante no dia seguinte antes de seguirmos para Arequipa.

Na garupa

Primeiro dia das meninas na garupa, imagina a ansiedade delas, e nossa também. Aqueles três dias longe da estrada pareceram uma eternidade, já estávamos nos coçando pra botar as motos pra rodar de novo.

Na garupa

Como o Alt estava em outro hotel, combinamos de nos encontrar às 6h30 na praça das armas para sairmos juntos. O dia estava lindo, ensolarado, rodamos por cerca de 3 horas até nos depararmos com uma grande engarrafamento. Os carros estavam parados mesmo, muitos dos motoristas caminhando pela estrada. Devagarinho fomos passando por eles na esperança de podermos seguir viagem, até que chegamos ao “fim da linha”. Era uma barreira organizada pela população de uma pequena cidade que protestava contra a criação de uma represa que iria desviar o curso de um rio que passa por lá, deixando muitos agricultores sem água para irrigar suas plantações.

Parados no bloqueio
Parados no bloqueio

Paramos as motos e fomos conversar com os organizadores para ver a possibilidade de passarmos. Nada feito, teríamos mesmo que aguardar até meio dia, quando o bloqueio seria desfeito (ainda não eram nem 10 horas). Numa hora dessas não dá pra estressar, “o que não tem remédio”… Ficamos por ali, respondendo às peguntas dos curiosos locais, de onde éramos, pra onde estávamos indo, eles lamentando a derrota do Brasil na Copa do Mundo, até chicha eles nos ofereceram e foi a melhor que provamos até ali.

Escolta para passarmos pelos bloqueios
Escolta para passarmos pelos bloqueios

Como prometido, ao meio dia a estrada foi liberada. Fomos os primeiros a sair mas tivemos que ir seguindo um carro da polícia até passarmos pelos outros três bloqueios montados nos próximos quilômetros. Ficamos duas horas e meia parados, não tinha como chegarmos a Chivay antes de anoitecer. Para não quebrarmos nossa regra de nunca viajarmos à noite optamos por parar em Juliaca, uma das cidades no caminho.

Cerca de 90 Km antes de Juliaca fomos parados pela polícia, pediram nossos documentos, os das motos e o SOAT (Yes!!!!!), aquele seguro que contratamos em Puerto Maldonado. Ficamos realmente felizes de termos feito a coisa certa e contratado o seguro, mesmo com o guia do hotel dizendo que era besteira, que não precisava.

Chegando à Juliaca, achamos a cidade muito confusa, cidade grande, tumultuada, e como não sabíamos que íamos dormir por lá, não fizemos pesquisa de hotéis. Não seria nada fácil ficar rodando atrás de hotel, resolvemos então, seguir viagem mais um pouco até uma cidade menor.

O problema é que já era tarde, não havia mais “cidades” próximas, eram mais vilarejos, que às vezes nem hospedagem tinham. Quando chegamos à Santa Lucia, já estava perto de anoitecer e decidimos que seria ali nosso pernoite, tínhamos que achar um lugar pra dormir.

O banquete daquela noite
O banquete daquela noite

Achamos! A única hospedaria do local era um mercadinho na beira da estrada que alugava alguns quartos nos andares de cima, conseguimos três, apenas um com banheiro. O “estabelecimento”, além de mercado e hotel, era banheiro público para os caminhoneiros que por ali passavam. Pense num muquifo! As roupas de cama estavam jogadas sobre o colchão do mesmo jeito que o último hóspede deixou, havia um cheiro de açougue no ar, cocô de gato pra tudo que é lado, uma beleza!

Compramos umas bolachas, latas de atum e algumas frutas e esse foi nosso jantar naquele dia. Ninguém teve coragem de tirar as roupas de moto, nem sequer as botas, dormimos assim mesmo, todos vestidos evitando ao máximo tocar nos lençóis e cobertas. Assim que deitei apaguei na cama, lá pelas tantas despertei, crente que já estava amanhecendo, quando olhei pro relógio eram 23h59. A noite seria longa…

Assim foi a estréia das meninas na estrada, cheia de emoções. Obrigado pelo companheirismo, pelo apoio e por terem dividido esses momentos de igual pra igual com a gente, sempre com um sorriso no rosto e curtindo estar ali.

A rota:

 

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